Emergência fabricada: crise na limpeza urbana de Brumadinho levanta questionamentos
Por Jornal Circuito
A gestão da limpeza urbana em Brumadinho tornou-se o centro de uma crise administrativa, financeira e social que afeta diretamente a população. Um serviço público essencial, contínuo e previsível passou a ser marcado por instabilidade, contratos emergenciais sucessivos, paralisações e denúncias de falhas na condução administrativa.
Segundo informações apuradas pelo Jornal Circuito, a Prefeitura possuía uma licitação válida para a coleta e destinação de resíduos sólidos. Sem que houvesse uma explicação pública considerada convincente, o processo foi cancelado. Posteriormente, a administração municipal aderiu a uma ata de registro de preços, sem divulgação de estudo de economicidade. Pouco tempo depois, essa adesão também foi desfeita.
O encadeamento dessas decisões resultou em um vazio administrativo que passou a ser utilizado como justificativa para uma contratação emergencial no valor de R$ 13.014.623,68, realizada sem concorrência pública.
Greve, salários atrasados e instabilidade no serviço
Enquanto contratos emergenciais são firmados e encerrados em curto espaço de tempo, trabalhadores da limpeza urbana relatam atrasos salariais e falta de garantias mínimas para a continuidade do serviço. A situação culminou em paralisações e greve, agravando ainda mais o cenário nas ruas da cidade.
Funcionários afirmam que os recursos destinados ao serviço não chegaram de forma regular às empresas responsáveis, o que gerou troca constante de prestadoras. “Cada dia é uma empresa diferente. É um contrato emergencial atrás do outro”, relatou uma fonte ligada ao setor.
Emergência real ou criada?
A coleta de lixo é um serviço permanente, previsto no orçamento municipal e com demanda conhecida ao longo de todo o ano. Situações emergenciais nesse tipo de serviço costumam ocorrer apenas em casos excepcionais e imprevisíveis.
No entanto, a chamada “emergência” em Brumadinho teria surgido após a desmontagem das alternativas legais de contratação, restando apenas a dispensa emergencial, que permite a contratação sem concorrência.
Impacto direto na população
Com a instabilidade administrativa e financeira, a população sente os reflexos no dia a dia: acúmulo de lixo, risco à saúde pública e insegurança quanto à continuidade do serviço. O cenário reforça questionamentos sobre planejamento, transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
Quando a urgência não nasce de fatores externos, mas de decisões administrativas internas, ela deixa de ser apenas uma emergência e passa a exigir esclarecimentos.
O Jornal Circuito segue acompanhando o caso e aguarda posicionamento oficial da Prefeitura de Brumadinho sobre os fatos apresentados.
