Faltando pouco mais de dois meses para as convenções partidárias se encerrarem e menos de três meses para o primeiro turno, a disputa pela Presidência da República já tem contornos bem definidos. A eleição está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro, e vai definir quem vai comandar o país no próximo mandato, em meio a um cenário de forte polarização e de uma economia que envia sinais mistos ao eleitor.
Lula busca a reeleição: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou candidatura à reeleição, buscando um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. Depois de ter afirmado, em 2022, que não disputaria novamente o cargo, Lula mudou de posição e, já em 2025, declarou a intenção de concorrer mais uma vez.
O governo chega à disputa com indicadores econômicos que misturam alívio e preocupação: a inflação ao consumidor gira em torno de 5% ao ano bem abaixo dos patamares de dois dígitos registrados em 2022, mas ainda acima da meta perseguida pelo Banco Central enquanto o desemprego recuou a 6,2%, o menor nível em uma década. A economia, historicamente, costuma pesar na avaliação dos eleitores sobre governos que tentam a reeleição.
A direita sem Bolsonaro na cédula: Pela primeira vez desde 2018, o nome de Jair Bolsonaro não estará entre as opções de voto para presidente. Condenado e preso para cumprir pena por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente está inelegível. Coube ao filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), assumir a bandeira do bolsonarismo na disputa uma candidatura que, segundo levantamentos recentes, ainda enfrenta resistência dentro do próprio campo da direita e não desperta unanimidade entre aliados do centrão.
Ao longo dos últimos meses, o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seguiu como alternativa cobiçada por setores do mercado financeiro e do agronegócio, que veem nele uma opção de centro-direita com maior potencial de disputar o segundo turno com Lula. Tarcísio, no entanto, precisaria ter deixado o governo paulista até abril para concorrer à Presidência prazo que já passou, o que reduz as chances de uma candidatura própria neste ciclo.
Mineiro na disputa: Zema oficializa candidatura. Um nome direto de Minas Gerais entrou de vez na disputa nacional. O ex-governador Romeu Zema, que comandou o estado entre 2019 e março de 2026, teve a candidatura à Presidência oficializada pelo partido Novo em convenção nacional realizada em Brasília no fim de julho. Zema, natural de Araxá, deixou o governo mineiro para concorrer e ainda não definiu o nome do vice em sua chapa uma das possibilidades avaliadas é o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.
Em seu discurso de lançamento, Zema apresentou a gestão em Minas Gerais como carta de apresentação para o eleitorado nacional e intensificou críticas a Flávio Bolsonaro, disputando espaço no mesmo campo político. Sem alianças partidárias fechadas até o momento, a candidatura de Zema tende a competir por parte do eleitorado insatisfeito tanto com o PT quanto com o bolsonarismo.
Como Zema deixou o Executivo mineiro para a disputa presidencial, Minas Gerais também terá eleição para governador em outubro, com o atual vice, Mateus Simões, entre os nomes que despontam para a sucessão.
O que dizem as pesquisas: As últimas rodadas de institutos de pesquisa, divulgadas ao longo de julho, mantêm o presidente Lula na liderança em todos os cenários testados, tanto no primeiro quanto no segundo turno ainda que as margens variem de pesquisa para pesquisa:
-AtlasIntel/Bloomberg: (início de julho): Lula com 46,3% contra 36,6% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno; no segundo turno, 48,8% a 42,3%.
– Meio/Ideia: Lula com 40,4% contra 32% de Flávio no primeiro turno; 45% a 40% no segundo turno.
– BTG/Nexus: (24 a 26 de julho): No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro diferença que fica dentro da margem de erro quando o adversário testado é Flávio, Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.
Vale destacar que essa última pesquisa foi feita logo após o anúncio, pelos Estados Unidos, de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos exportados pelo Brasil decisão que colocou o comércio exterior e a relação com Washington no centro do debate eleitoral.
Calendário da disputa: As convenções partidárias, que oficializam os candidatos e as alianças, começaram em 20 de julho e se encerram em 5 de agosto. O registro definitivo das candidaturas na Justiça Eleitoral, com envio de documentação e plano de governo, deve ser feito até 15 de agosto. A partir de meados de agosto, os candidatos poderão iniciar oficialmente a campanha e apresentar suas propostas de governo.
Um pleito decisivo: Independentemente do resultado, a eleição de outubro deve ser lembrada como um dos pleitos mais disputados desde a redemocratização, com o país novamente dividido entre a continuidade do projeto petista e alternativas de centro-direita e direita que ainda buscam consolidar um nome único capaz de polarizar com Lula no segundo turno. Para o eleitor de Brumadinho e de toda Minas Gerais, a corrida ganha um tempero especial: um mineiro, ex-governador do estado, está entre os concorrentes ao Planalto pela primeira vez neste ciclo.
*Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), institutos AtlasIntel/Bloomberg, Meio/Ideia, BTG/Nexus e Genial/Quaest, além de apuração jornalística sobre as convenções partidárias de 2026.*










